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A origem e história do Karaté é incerta. Não existe uma data ou uma época em que se
possa definir o princípio do Karaté. No entanto, reportando à bibliografia da especialidade, todos os historiadores, autores e mestres que escreveram sobre este assunto são
unânimes, em estabelecer a ligação com o nome do patriarca do Zen, "Bodhidarma". Está estritamente ligado às primeiras formas de Karaté como método
de combate e ao mesmo tempo exercícios em que o corpo e espírito participariam com uma noção de indivisibilidade. Também na china o Karaté era conhecido
há cerca de 5000 anos, onde era praticado, com um sentido mais ginástico, (mas sempre como imitação simplificada do movimento de ataque e defesa) destinado a manter o
equilíbrio e diminuir a tensão nervosa.
Esta arte era de início reservada aos nobres, desenvolvida como desporto popular na dinastia de "Han",
cerca de 300 anos AC. As técnicas de combate sem armas desenvolveram-se mais na China, com a vinda da dinastia "Ming". A espantosa imaginação criadora
dos chineses, (libertados da invasão Mongólia) deu lugar à criação de novos métodos de combate sucessivamente aperfeiçoados.
A ilha de Okinawa foi, desde sempre, um ponto
de contacto entre a cultura chinesa e a cultura do Japão. É nesta ilha, sucessivamente conquistada pelos imperadores chineses e pelos senhores feudais japoneses, que o Karaté toma
forma sob a qual o conhecemos hoje na Europa. Nessa época era proibido em absoluto aos habitantes da ilha, sob domínio japonês, o uso das armas. Mesmo as armas brancas eram
interditas.
Só os samurais invasores podiam fazer uso das suas. Destas interdições nasce o Okinawte-Te, misto da escola Kempo e de técnicas locais. Pés e mãos
transformavam-se em armas terríveis capazes de substituir as espadas. Todos os membros eram utilizados, procurando sistemática e rapidamente, uma eficácia absoluta. As técnicas
eram sistematizadas à velocidade máxima. Os estrangulamentos, luxações, projecções do corpo ao solo foram totalmente abandonados, ficando como meios acessórios. Esta fase explica
a diferença de eficácia entre o Karaté e o Jiu-Jitsu japonês, mais tarde substituído pelo Judo. Em 1900, o estudo do Karaté foi divulgado em Okinawa pelos mestres Itosu e Hihaona,
já com carácter oficial e aberto à população.
É então que entre todos se destaca o mestre Gichin Funakoshi, como personagem de primeiro plano e figura de nível
intelectual, mental e espiritual impar. Ainda hoje se venera o seu espírito para que presida ao trabalho em cada "Dojo". Foi ele que organizou a escola
Shotokan, codificando as actuais formas de Karaté como era praticado por Bodhidarma, associando o corpo e o espírito, como nas antigas formas do Kempo. Este espírito encontrou uma
ressonância particular nos adeptos do Budismo-Zen e nos jovens japoneses plenos de espírito marcial do "Budo", caminho da perfeição humana através
das técnicas marciais.
O falecimento dos velhos mestres e de Funakoshi que faleceu aos 88 anos após a guerra, contribuiu para dividir os estilos.
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